Loading...

Rio-pretense analisa vilã de ‘A Pequena Sereia’ em seu 1º livro

Mulher trans e taróloga, Agatha Cabral reflete sobre bruxaria feminina em ‘As Bruxas do Mar e as divagações sobre as feiticeiras num mundo desajustado’

Cursando licenciatura em Letras no Ibilce/Unesp desde 2015, a rio-pretense Agatha Cabral prepara-se para publicar o livro “As Bruxas do Mar e as divagações sobre as feiticeiras num mundo desajustado”, em que apresenta uma análise cinematográfica e literária acerca da vilã Úrsula da animação “A Pequena Sereia” (1989) e da feiticeira do mar, personagem de conto homônimo do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875). Recorrendo a conceitos da teoria literária, da psicanálise de contos de fada e de arquétipos proposto por Carl Gustav Jung (1875-1961), ela traz em sua primeira publicação uma reflexão em torno da bruxaria feminina e do papel da mulher que conjura magia na sociedade cristã, bem como suas pautas, demandas e subjetividades.

Segundo Agatha, mulher trans e taróloga, o livro é um recorte de sua iniciação científica no Ibilce/Unesp, que tem como objeto de análise “A Pequena Sereia” e o conto de Andersen, sendo realizada sob orientação da professora Susanna Busato. “A feiticeira, tanto no filme como no conto, traz um corpo adverso. Seu corpo traz tentáculos, evidenciando um corpo alternativo, um corpo que não é cisgênero”, pontua. “Apesar de ser uma figura da cultura popular dinamarquesa, essa feiticeira também é marginalizada, evidenciando essa perseguição histórica sofrida por mulheres que trabalhavam com magia e cura com plantas medicinais”, acrescenta.

Para a autora, as duas obras podem ser usadas no ambiente educacional para trabalhar a questão da identidade de gênero com as crianças, no entanto, o que ela vê de mais precioso no enredo delas é a forma como rompem com o sistema maniqueísta em que o bem sempre vence o mal. “É um conto de fadas com final infeliz, pois a figura do mal sai impune. Mas nem todos os finais são felizes na vida real”, destaca.

Para tecer sua análise crítica sobre a figura da feiticeira e da mulher trans na sociedade, Agatha recorreu a diversos trabalhos científicos já publicados sobre “A Pequena Sereia” e o conto de Andersen, entre eles “Do fundo do mar à terra: Ariel & Úrsula e a representação do feminino em ‘A Pequena Sereia'”, de Antônio Reginaldo Júnior Sigal de Souza (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “O livro é algo que faço independentemente do meu trabalho de iniciação científica, pois me interesso por esses questões em torno do papel das bruxas e feiticeiras”, diz.

“As Bruxas do Mar e as divagações sobre as feiticeiras num mundo desajustado” já está disponível para pré-venda diretamente com a autora, por meio do WhatsApp: (17) 99682-3007.

Fonte: Diário da Região

Rio-pretense analisa vilã de ‘A Pequena Sereia’ em seu 1º livro - Abresc |