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Professoras de Rio Preto lançam livro sobre questões contemporâneas da linguagem

Proposta da publicação é atingir público que faz uso constante da web

As professoras Fabiana Komesu e Luciani Tenani, do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários do Ibilce/Unesp, acabam de lançar o e-book “Internetês: questões contemporâneas sobre a lingu@(gem)”, em que apresentam reflexões sobre o chamado “internetês” em práticas letradas em língua portuguesa e em contexto digital, frequentemente associadas a jovens usuários da internet.

A professora Fabiana Komesu afirma que o livro é um convite à reflexão sobre práticas sociais de leitura e escrita que são frequentemente criticadas porque fariam uso de abreviaturas, com segmentação “errada” de palavras, com excesso (ou falta) de pontuação, com uso de símbolos como emojis, para citar apenas alguns exemplos que são bem visíveis a usuários de mídias digitais. “A ideia do senso comum é de que essas práticas ‘acabariam’ com ‘a’ língua portuguesa. Procuramos discutir, com o público mais amplo, e explicar que críticas como essas estão fundadas principalmente num ideal de pureza da língua, como se existisse. Nas diferentes práticas de linguagem, esse ideal não se sustenta.”

O público-alvo da obra são leitores não especialistas em estudos da linguagem, interessados em refletir sobre essas práticas na contemporaneidade, particularmente, sobre práticas de leitura e escrita em língua portuguesa em ambiente virtual. “Nosso propósito é atingir leitores não especialistas em estudos da linguagem e sensibilizá-los em relação a práticas sociais de leitura e escrita, as consequências, principalmente, quando se assume uma visão de que a língua não mudaria segundo o interlocutor, o espaço em que emerge e o tempo em que é falada/escrita ou ainda segundo seus modos de circulação e propagação. Esse ideal de língua ignora as pessoas e as relações sociais entre elas, que é o que faz a língua estar viva”, afirma Fabiana.

No Brasil, segundo Fabiana, diferentes estudos mostram o forte uso de mídias sociais, por meio de dispositivos móveis como celular, e a crescente preocupação de que práticas de leitura e escrita em mídias digitais afetariam negativamente a formação dos cidadãos. No contexto da pandemia e de ensino remoto emergencial, a parcela da população que tem recursos e acesso a computador e internet tem tido contato ainda mais frequente com dispositivos móveis, acentuando essa preocupação.

Alguns artigos do livro foram originalmente publicados na coluna “Rio Preto Pensa”, do Diário da Região, entre 2013 e 2015. “Foram publicados como coluna de jornal, para um público leitor mais amplo, não necessariamente acostumado a discutir questões de linguagem”, explica Fabiana.

Luciani Tenani afirma que, na apresentação do livro, ela e Fabiana explicam que os textos foram produzidos em período anterior ao atual, mas que, ainda assim, a reflexão sobre a linguagem, a produção escrita e práticas de leitura, em contexto digital (e fora dele), pode ser mantida. “No livro, abordamos, portanto, principalmente, o uso de abreviaturas, a ideia do senso comum de que escrever em redes sociais é escrever sem regra, e questões de leitura como práticas sociais, isto é, como uma atividade que produz sentidos no outro, com o outro. Além disso, também discutimos relações entre linguagem verbal e verbo-visual em diferentes situações comunicativas, como as vividas dentro e fora das telas de dispositivos móveis, questões bastante contemporâneas.”

A publicação de “Internetês: questões contemporâneas sobre a lingu@(gem)” visa promover reflexões e debates sobre questões contemporâneas. “São questões de interesse social, ou porque suscitam a adesão de muitos ou porque provoca a crítica de adversários a essas práticas”, explica Luciani. O livro tem 60 páginas e é dividido em 12 capítulos. O livro está disponível para acesso público e gratuito. O e-book pode ser lido online ou pode ser feito download no site da editora Letraria (https://www.letraria.net/internetes/).

Professoras e pesquisadoras do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários da Unesp, Fabiana Komesu e Luciani Tenani estão vinculadas ao Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos. Este é um segundo livro sobre o assunto. O primeiro, “O internetês na escola”, publicado em 2015 pela Editora Cortez, é voltado principalmente a professores de ensino fundamental, do 6º ao 9º anos. “Naquele livro, buscamos discutir práticas de leitura e escrita em contexto digital, explicar o uso de abreviaturas, propor atividades didáticas que exploram o uso internetês em sala de aula”, afirma Luciani.

Fonte: Diário da Região

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