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Poeta e ativista negro, Ivan Reis lança seu primeiro livro, ‘Negru-me’

‘A poesia é o lugar em que monto a minha trincheira nessa guerra de classes e etnias’, diz Ivan Reis, que lança seu primeiro livro, ‘Negru-me’.

A literatura, em particular a poesia, é a arma de Ivan Reis, de 47 anos, na guerra permanente contra o racismo e a desigualdade social. “Escrevo poesias desde a minha adolescência e meus versos sempre foram engajados. Nasci preto e favelado, e é por meio da poesia que eu revido, que eu resisto. A poesia é o lugar em que monto a minha trincheira nessa guerra de classes e etnias”, define ele, que lança, neste sábado, 13, em Rio Preto, o seu primeiro livro de poesias, intitulado “Negru-me”.

Referendando a professora, antropóloga e escritora Lélia Gonzalez (1935-1994), Reis destaca que sua língua é o “pretuguês” e que seus versos reverenciam a cultura de um povo historicamente silenciado no Brasil. E o coletivo sempre está em primeiro lugar. “Sozinho não faço nada. Reverencio negros que marcaram a literatura antes de mim e envolvo meus iguais em minha caminhada literária”, destaca.

Em Rio Preto, Reis é o responsável pelo projeto Letras Negras, que evidencia o protagonismo negro na literatura e que já conta com uma antologia, lançada no ano passado com o fomento do Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura. “Já estamos preparando nossa segunda edição, que terá a participação de dois poetas de Angola.”

Apesar de ser a sua primeira publicação solo, “Negru-me”, na verdade, é o segundo livro de Reis. Lançado pelo selo literário Nossa Voz, recentemente criado por ele em parceria com Valdo Garcia, a obra reúne os frutos mais recentes de sua safra poética. “Criamos esse selo para não depender da boa vontade das editoras em publicar os trabalhos de autores negros. Não precisamos ficar ajoelhando a ninguém para sermos vistos”, pontua.

Já aquele que é considerado o primeiro livro será lançado pela Desconcertos Editora no próximo mês. Trata-se de “Nó Na Garganta”, que traz poemas mais antigos, entre eles “O Menino Cor de Carvão”, que lhe rendeu seu primeiro prêmio literário nos anos 1990. “É uma das primeiras poesias que escrevi e com a qual eu recebi menção honrosa no concurso literário da minha escola”, conta.

O lançamento de “Negru-me” segue o protocolo da nova normalidade. Neste sábado, 13, às 19h, o autor recebe uma série de convidados em live que será transmitida pelo canal do Letras Negras no Youtube. Entre eles estão Manoel Messias Pereira (responsável pelo prefácio da obra), Plínio Camillo e Tatiane Souza. A publicação do livro foi viabilizada com recursos do auxílio emergencial da Lei Aldir Blanc.

Nazil ou Brazil

Muita treta vixi:

COVID, inveja, caô

Ebó, Nazi e depressão

Aqui tá como?

#fiqueemcasa

Vento derruba casa de papelão

Falta água pra quem precisa lavar a mão

Falta UTI pra quem tá na situação

Falta vergonha na cara de um tal cidadão

Falta respirador pra salvar vidas então

Sustentar a economia advinda do patrão.

O Brasil vai quebrar se extinguir a nova escravidão…

Bala “perdida” que acha sempre um de nós.

Vidas Pretas em vão?!

Poema que faz parte do livro ‘Negru-me’, de Ivan Reis

Fonte: Diário da Região

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