Loading...

Livros infantis promovem empatia e aceitação do público LGBTQIA+

Títulos de obras voltadas ao público infantojuvenil que valorizam o respeito e a tolerância

Na última segunda-feira (28), foi celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, em homenagem a um dos episódios mais marcantes na luta da comunidade gay pelos seus direitos: a Rebelião de Stonewall.

Mais do que as ações que estão pautando a data neste ano, é fundamental incentivar o exercício da tolerância no dia-a-dia. E, nesse movimento, é importante envolver também as crianças. Não por outro motivo, são vários, os títulos que vêm aportando no mercado visando fomentar a prática da empatia, do respeito, da tolerância, da compaixão e do diálogo.

INICIATIVAS

Autor do livro “‘Minha Família é uma Festa”, Fernando Baptista, por exemplo, conta que, além de inaugurar o diálogo com a criança, a sua obra pretende ser um instrumento de intervenção terapêutica para uma boa constituição emocional/psicológica de filhos de casais homoafetivos.

“Dou cursos sobre sexualidade e muitos profissionais da área de saúde mental se queixam da falta de material para trabalhar essas questões no consultório. Daí surgiu a ideia de documentar a história de Pedrinho”, narra Fernando.

Já Raphaela Comisso, uma das autoras de “Mãe Não é Uma Só, Eu Tenho Duas!”, diz que a ideia da escrita da obra surgiu inicialmente da vontade de encontrar um livro assim.

“A outra autora é a Nanda Mateus, que é a minha esposa. A gente tem um filho de cinco anos, mas desde antes da chegada dele, a gente já se interessava muito por literatura. Nós duas somos de Letras, e trabalhamos com educação, e a gente já buscava títulos que de alguma forma tratassem dessa questão familiar, da diversidade das configurações familiares, e os poucos livros com os quais a gente teve contato, comprou e conheceu, poucos eram brasileiros. E nenhum trazia (a questão) da forma que a gente imaginava, de apresentar uma história simples, do dia a dia, de uma família formada por duas mães e uma criança”, relata a autora.

As duas foram alimentando a ideia de escrever um livro ao longo do tempo. O primeiro objetivo, de acordo com Raphaela, seria fazer com que essas famílias, especialmente as crianças, se sentissem representadas também na literatura.

“Os referenciais que há no cinema, na TV, na literatura, que fazem parte do universo infantil, são muito marcados por uma heterossexualidade, digamos, ‘presumida’, e uma ‘normalidade’, tanto das orientações sexuais das personagens, quanto das suas identidades, do funcionamento de suas famílias, de uma forma muito padrão”, aponta Raphaela.

Outro objetivo seria tentar iniciar debates sobre o tema. “Primeiro, talvez sensibilizar pessoas adultas que nunca tiveram contato na vida com famílias de configurações diferentes das suas para que elas também possam iniciar diálogos, tanto consigo mesmas quanto com suas companheiras e companheiros, filhas e filhos, e as pessoas ao redor.

“Estamos muito felizes com a repercussão desse livro. Muita gente escreve para gente, de diferentes tipos de configurações familiares. Muita gente se interessou, então, o resultado tem sido muito legal. A gente tem conseguido iniciar muitas conversas interessantes a partir dele”.

LIVROS

Minha Família é uma Festa (Saíra Editorial)

Fernando Baptista. O livro conta a história de Pedrinho, um menino de 4 anos adotado pelo casal Bruno e Henrique. A narrativa transcorre em uma festa de criança em que Pedrinho pode apresentar seus pais para seus coleguinhas e para os familiares deles. Além de escritor, o autor é sexólogo e terapeuta de casais.

Maya, Bebê-Arco-Íris (Globinho)

Xuxa Meneghel. Inspirada em sua afilhada, Xuxa conta a história de uma anjinha que mora no céu há algum tempo e que recebe a difícil tarefa de escolher quem serão seus responsáveis para viver na Terra. Com a missão de vir para este mundo espalhar amor, a bebê tinha que encontrar a família perfeita. Assim, a anjinha escolhe ter duas mães e recebe o nome de Maya. Com ilustrações de Guilherme Francini, “Maya: Bebê Arco-íris” mostra que o mais importante em qualquer família é o amor.

Olívia Tem Dois Papais (Companhia das Letrinhas)

Márcia Leite. Filha adotiva de Raul e Luís, Olívia é uma menina curiosa e alegre, que adora usar palavras complicadas e desfiar grandes raciocínios quando conversa com seus dois pais. O livro convida o leitor a conhecer um dia da vida de Olívia, suas relações familiares e algumas de suas inquietações.

Mãe Não é Só Uma, Eu Tenho Duas! (Saíra Editorial)

Nanda Mateus e Raphaela Comisso. As autoras estão juntas há dez anos e são mães de Teco. Aqui, abordam temas como a homoparentalidade e a diversidade familiar.

“Meus Dois Papais” (Editora Moderna)

Walcyr Carrasco. Naldo não fica muito surpreso quando seus pais resolvem se separar. Afinal, os dois vivem brigando… Mas, quando a mãe dele precisa mudar de cidade, o menino acha natural ir morar com o pai. Só não consegue entender por que a mãe e a avó são contra…

O Gato Ratudo e o Rato Gatudo (Saíra Editorial)

Thaís Evangelista e Frederico Brito. Na história do gato que queria ser rato e do rato que se via como gato, existe uma metáfora que representa a realidade de muitas pessoas. O livro argumenta: Quando foi que instituíram que, para ser de um jeito, a gente precisa ter isso e não aquilo, enquanto, para ser de outro jeito, a gente precisa ter aquilo e não isso? Por aí, em todos os lugares deste mundo, há muitas pessoas que não se reconhecem no espelho. Agora, imagine um gato que não se sente como um gato e um rato que não se aceita como um rato. É como nascer num corpo sentindo-se pertencer a outro. É no que a historinha ritmada deste livro nos faz pensar.

É Assim que eu Sou! (Saíra Editorial)

Newton Cesar. A única semelhança que existe entre as pessoas é que todas são diferentes umas das outras. A única coincidência é que as pessoas só são iguais na diferença, e é isso o que torna o mundo mais diverso, colorido, encantador, divertido e enriquecedor.

Fonte: Folha da Região

Livros infantis promovem empatia e aceitação do público LGBTQIA+ - Abresc |