Em Catanduva, contação de história é feita nas rádios - ABRESC

Em Catanduva, contação de história é feita nas rádios

Para chegar até aqueles que não têm acesso à internet, Sesc Catanduva leva contações de histórias para emissoras de rádio da cidade

Em um momento em que a tecnologia digital tem sido decisiva para manter as pessoas conectadas, eis que o bom e velho rádio surge para tornar essa conexão ainda mais acessível e democrática, já que no Brasil há quase 50 milhões de pessoas sem acesso à internet. Em Catanduva, o Sesc recorreu ao rádio para compartilhar suas sessões virtuais de contação de histórias para além das redes sociais. Trata-se do projeto “Contos Radiofônicos”, que segue para seu segundo mês em agosto, ocupando um tempinho na programação de duas emissoras da cidade, a Band FM e a CBN.

“O objetivo maior é conseguir chegar ao público que não tem acesso à internet. A gente costuma achar que todo mundo tem, mas não é bem assim, e pudemos constatar isso até com crianças e idosos que atendemos na unidade. Muita gente também tem cancelado o serviço de internet por conta dos problemas financeiros ocasionados pela pandemia. O rádio é um meio de fácil acesso, que chega aonde a internet não chega”, explica a coordenadora de programação Larissa Corá.

Para a educadora e contadora de história Dani Ribeiro, de Rio Preto, que participa do “Contos Radiofônicos”, o rádio tem o poder de exercitar a imaginação, pois coloca a mente do ouvinte a criar imagens a partir daquilo que é ouvido. “Unir a oralidade com a percussão africana torna essa experiência ainda mais deliciosa tanto para a criança como para o adulto. É o se permitir a ouvir, a imaginar, a criar a partir daquilo que não existe”, reflete ela, que comanda às sessões radiofônicas do “Negritudiando”, um apanhado de contos infantis que tratam de questões que envolvem a cultura negra e suas vertentes. A contações vão ao ar na Band FM Catanduva às quartas-feiras, às 10h, com reprise aos sábados, também às 10h.

Nos primórdios do rádio, essa conexão com a imaginação era estabelecida pelas radionovelas, que convidava os ouvintes a criar suas próprias imagens para a narrativa. “Minha mãe contava das radionovelas, da emoção que aquilo conseguia causar nela e em minhas tias. Você não sabia como a personagem estava vestida, mas conseguia visualizá-la, construía a sua imagem. Essa é a grande magia do rádio”, diz Dani. “E quando você consegue levar essa temática da diferença para o rádio, que é algo que todos podem ouvir, isso é fantástico. Nesse período complicado que vivemos, é preciso reforçar e valorizar a diferença do outro, porque não há como avançar de outra forma”, enfatiza.

“Contos Radiofônicos” teve em início em julho, com os causos caipiras do projeto Fio da Meada, formado pela atriz e contadora Poliana Savegnago e pelo músico Alan Silva, da cidade de Brodowski. Temperando história e música, eles apresentam lendas que fazem parte da cultura popular do interior. E essas histórias podem ser ouvidas na rádio CBN às sextas-feiras, às 10h, com reprises às segundas, às 10h.

Saiba mais:

Fonte: Diário da Região