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Das pequenas coisas

A irmã gêmea da ansiedade, a depressão, pode ser percebida à medida em que a alegria das pequenas conquistas deixa de fazer parte da rotina; quando o ânimo para as pequenas atividades se esvai e o desejo de dormir, ou ficar jogado em um sofá, começam a interferir nas atividades

Todos os dias nos relacionamos com diversos tipos de pessoas, que chegam até nós por muitos caminhos, vindos de origens muitas vezes desconhecidas. E estar aberto a esse enriquecimento cultural, social, acaba por nos trazer novas visões de mundo, repletas de novos valores, catalisadoras de novas – e muitas! – reflexões.

Essa riqueza de opiniões acaba por permitir que tenhamos crescimento, que sejamos troca e, principalmente, nos leva à compreensão de que a vida cotidiana não é feita de “grandes” momentos, e sim, da somatória de inúmeros pequenos momentos.

Mas, a “vida moderna”, como diria minha avó, gira em alta velocidade, com pessoas cada vez mais jovens e com mais pressa de alcançar grandes realizações. Os efeitos do imediatismo são sérios, podendo tornarem-se desastrosos, uma vez que as cobranças – internas e externas – nos roubam algumas importantes percepções.

Temos visto pais de recém-nascidos nas redes sociais pedindo votos para seus bebês serem os mais votados do berçário; adolescentes e jovens sentem-se mais ou menos prestigiados com base em visualizações e curtidas em seus perfis sociais, expondo as intimidades registradas na segurança de seus quartos sem muitas vezes imaginarem o alcance de suas postagens. E essa expectativa do sucesso midiático acaba por gerar desdobramentos e muita frustração.

Quando o jovem profissional se preocupa mais em ter uma alta produtividade e ganhar muito dinheiro para que possa atender às aspirações pessoais ou às pressões da sociedade, como legítimo representante da geração “Instagram”, e menos em levar uma vida em paz consigo mesmo, acaba se tornando vítima da tal ansiedade, um mal da “vida moderna” que, costumeiramente, chega acompanhado de incômodos no estômago, dificuldades de sono, de concentração, e um senso de infelicidade constante, como se o sucesso estivesse atrasado.

A irmã gêmea da ansiedade, a depressão, pode ser percebida à medida em que a alegria das pequenas conquistas deixa de fazer parte da rotina; quando o ânimo para as pequenas atividades se esvai e o desejo de dormir, ou ficar jogado em um sofá, começam a interferir nas atividades.

Nesses casos, é fundamental lembrar que, em tempos difíceis como esse que estamos atravessando, a noção de que grandes avanços são pautados por pequenas vitórias, e que grandes transformações são efetivadas com pequenas mudanças, irá nos dar força e esperança. E, por isso, nunca foi tão importante aguçar nossa percepção.

Saber que “a vida só acontece para quem se apresenta”, e que o caminho pode não ser rápido, ou fácil, ou sem percalços, ajuda muito, assim como saber se alegrar e celebrar as pequenas conquistas; ou saber dividir para multiplicar; ou saber rir de si mesmo e ser honesto com as próprias ambições, traçando etapas e definindo prazos factíveis; ou saber que falhar faz parte do processo, e que está tudo bem.

Fonte: Jornal Diário da Região

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