Edward Pimenta - ABRESC

Edward Pimenta

Edward Pimenta

Paulista de Mirassol, Edward Pimenta é graduado em Jornalismo e Direito. Concluiu o Curso Abril de Jornalismo (turma de 2001) e o Curso Estado de Jornalismo (turma de 2000), em São Paulo, e em 2008 integrou a turma do Publishing Course for Professionals na Universidade Stanford, na Califórnia (EUA).


Paulista de Mirassol, Edward Pimenta é graduado em Jornalismo e Direito. Concluiu o Curso Abril de Jornalismo (turma de 2001) e o Curso Estado de Jornalismo (turma de 2000), em São Paulo, e em 2008 integrou a turma do Publishing Course for Professionals na Universidade Stanford, na Califórnia (EUA).

Atuou em diversos campos do Jornalismo. Foi fundador e publisher do jornal semanal Gazeta de Mirassol (1999/2004), repórter e editor de sites e jornais regionais diários, e professor de Jornalismo da  União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago) e do Centro Universitário do Norte Paulista (Unorp), ambas em São José do Rio Preto (SP). Além disso, colaborou com diversos veículos, entre eles Veja, Superinteressante, VIP, Playboy, Bravo! e O Estado de S.Paulo.

Trabalhou na Editora Abril de 2004 a 2017, começando como editor do Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas (NDP). Em janeiro de 2008, passou a coordenar a área de Treinamento Editorial, responsável pelo Curso Abril de Jornalismo, o treinamento técnico dos jornalistas, os programas de cursos e palestras, o Prêmio Abril de Jornalismo e os convênios com as universidades.

Trabalhou na equipe da organização do livro Fotografia em Revista – 60 anos de fotografia, da Abril, que reúne o melhor de fotografia nas publicações da editora, lançado em 2010, com edição de Carlos Grassetti e Thomaz Souto Corrêa e texto de Ricardo Setti.

Assumiu, em novembro de 2014, a Diretoria de Apoio Editorial da Abril, passando também a ser responsável pelas áreas de arquivo editorial e para pesquisas (Dedoc) e pela área de vídeos. Simultaneamente, em novembro de 2014 passou a comandar a Diretoria do Abril Branded Content (ABC), estúdio responsável pela coordenação, atendimento e produção de conteúdos customizados, como native advertising ou qualquer outro tipo de conteúdo de marca, em todos os formatos, incluindo uma estrutura exclusiva para produção de vídeos.

Depois de 13 anos de Editora Abril, em 1º de agosto de 2017 deixou a casa e se transferiu para a Infoglobo, onde passou a atuar como diretor do G.Lab, estúdio de branded content do grupo de publicações da Globo, que inclui Valor Econômico, O Globo, Extra, Editora Globo e Edições Globo Condé Nast.

Começou a escrever ficção na adolescência. Seu primeiro livro, Duas Histórias, foi lançado pela editora João Scortecci em 1995. Venceu o concurso Mapa Cultura Paulista, da Secretaria de Cultura de São Paulo, teve trabalhos publicados em uma Antologia de Contos da Universitária, editora de Lisboa (Portugal), em 2002, e no 1º Concurso Cultural Caderno 2 – São Paulo 450 anos, do jornal O Estado de São Paulo, em 2004.

Lançou, ainda, pela Record, em 2007, O homem que não gostava de beijos.

 

O homem que não gostava de beijos, por Fabio de Souza Andrade

 

Sendo Horace Catskill

Na naturalidade do narrador, há algo de cosmopolitismo poseur que estaca na superfície das aparências

POLIMORFO SIM, perverso sim, Horace Catskill é um anti-herói pós-moderno. Em sua falta de determinações, homem sem qualidades, lembra Zelig, o homem-camaleão de Woody Allen. A diferença é que o protéico HC -protagonista de “O Homem que Não Gostava de Beijos”, primeira coletânea de contos do jornalista Edward Pimenta- não se limita a descartar, por mimetismo, tiques e personalidade.

Quando se reinventa, troca de pele, ressurgindo, aos saltos aleatórios, faceiro e safado, como sintoma e retrato de sua(s) época(s). HC não faz caso de tempo ou espaço.

Em suas reaparições, contudo, não escapa de um roteiro mais ou menos estrito dos mitos da cultura de massas contemporânea: as coxas de Madonna, as narinas de Michael Jackson, o politicamente correto nas universidades, ácido e sexo em profusão, nos anos 1960 (e sempre), terroristas e assassinos em série, pornografia. Pode ser o clássico soldado japonês que, distraído, perdeu o anúncio do fim da guerra, o assassino frustrado do papa, um bibliotecário que trafica o acervo de uma biblioteca pública em proveito próprio ou o desconhecido que contamina com o HIV uma rainha do sexo explícito.

O ponto de vista errático -à maneira de Julian Barnes que, mesclando história e ficção, para contar a “História do Mundo em 10 Capítulos e Meio”, alterna, por exemplo, as impressões de um cupim embarcado na arca de Noé com a crise mística de um astronauta que pisou a Lua- se equilibra sobre um fascínio pelo diário da corte. Os aspectos grotescos e variados do presente são bebidos na fonte, o umbigo (americano) do mundo, e as referências à periferia (a satisfação sádica dos senhores de escravos, o acanhamento provinciano do enterro de um boxeur argentino) aparecem, econômicas, engolidas pela luz ofuscante da matriz.

Na naturalidade do narrador, imune aos choques e às surpresas das extravagâncias, há algo de cosmopolitismo poseur que estaca na superfície brilhante das aparências, circo de aberrações ou ciranda de opulência. Porque Pimenta, promissor, conhece seu ofício, escreve bem e constrói com habilidade cada uma das fachadas para HC (o excessivo é tema e não se transmite ao estilo, enxuto e eficiente no humor verbal), o livro não se esgota no mero divertimento.

Mas fica a pergunta se, pela mesma razão, o virtuosismo não ganha um primeiro plano indevido, em seus ecos de Will Self (o soldado japonês é colonizado por uma miniatura de si mesmo, crescida de uma verruga) e dos roteiros de Kaufman (como em “Quero Ser John Malkovitch”, indústria cultural pretensamente ao avesso, convertido em drosófila, HC ocupa o cérebro do ídolo, Michael Jackson). A perspectiva plural não é necessariamente poliédrica e sofre, em certa medida, do mesmo mimetismo que caricaturiza, enfraquecendo seu retrato do esboroado sujeito moderno.